As duas opções abatem o mesmo saldo devedor, mas produzem resultados financeiros muito diferentes. A diferença pode passar de R$ 100 mil em juros no mesmo contrato.
Toda vez que você faz uma amortização extraordinária, o banco pergunta o que fazer com o abatimento: cortar meses do fim do contrato ou recalcular o valor das prestações. É uma escolha que parece técnica, mas define quanto dinheiro você economiza.
Usando o mesmo financiamento de referência — R$ 240.000 em 420 meses, 0,8878% ao mês, SAC, TR de 0,1221% ao mês — veja o efeito de uma amortização única de R$ 75.000 logo no início do contrato:
| Estratégia | Prazo final | Juros totais | Economia |
|---|---|---|---|
| Sem amortizar | 420 meses | R$ 536.502 | — |
| Reduzir parcela | 420 meses | R$ 369.317 | R$ 167.184 |
| Reduzir prazo | 289 meses | R$ 240.738 | R$ 295.764 |
Reduzir o prazo economizou R$ 128 mil a mais que reduzir a parcela — com exatamente o mesmo dinheiro desembolsado. E encurtou o financiamento em quase 11 anos.
Quando você reduz o prazo, elimina as parcelas do fim do contrato. Essas parcelas são as que ficam mais tempo rendendo juros para o banco — cada real amortizado hoje deixa de gerar juros por todos os meses restantes. Quando você reduz a parcela, o contrato continua até o último mês previsto, e o saldo remanescente segue rendendo juros por 35 anos.
Existe uma regra prática simples: reduzir prazo maximiza a economia; reduzir parcela maximiza o fluxo de caixa mensal. Não existe escolha errada em abstrato — existe escolha desalinhada com o seu objetivo.
Apesar de economizar menos, reduzir a parcela faz sentido em situações concretas:
Você não precisa escolher uma estratégia para sempre. É perfeitamente possível fazer uma amortização reduzindo a parcela agora — para aliviar o orçamento — e as próximas reduzindo o prazo. O simulador permite cadastrar várias amortizações, cada uma com seu próprio objetivo, e mostra o efeito combinado.
Abrir o simulador e calcular o meu caso →
Se em vez de um aporte único você conseguir amortizar todo ano, o efeito sobre o prazo é dramático. No mesmo financiamento, R$ 12.000 por ano com redução de prazo quita o contrato no mês 168 — 14 anos em vez de 35 — e derruba os juros de R$ 536 mil para R$ 192 mil. Com R$ 30.000 por semestre, a quitação vem no mês 48.
Sim. A escolha entre reduzir prazo ou valor da prestação é do consumidor, e o Código de Defesa do Consumidor garante o direito à amortização antecipada com redução proporcional dos juros. O que o banco pode exigir é que você esteja adimplente.
Varia por contrato. Alguns exigem valor mínimo por operação ou limitam a frequência. Vale confirmar as regras específicas antes de se programar.
Não. A parcela segue a mesma trajetória que teria — no SAC, continua caindo mês a mês. O que muda é que o contrato termina antes.